AFRODITE

Nasci de um assassínio,
poder castrado.
Assassinata.
Do sangue casto que pingava
eu me coagulei, pura
apesar da ira da vingança.
Nasci mulher, não fui criança.
Meu parto foi no mar,
as contrações em ondas.
Espuma, sangue, água.
Pérola de carne
macia, molhada.
Eu sou a concha do prazer,
você me quer.
Bem me quer.
Mal me quer.
Eu sou a virgem deflorada.
Qualquer um me quer,
não sou mulher,
sou a Beleza encarnada,
uma deusa mal dita,
de pureza interdita.
Euforia inaudita.
Afrodite.
Inflamação de amor,
paixão – no sentido cru da palavra.
Evoca minha presença e ama!
Me chama no arrepio da pele
e goza as delícias do corpo vigoroso,
vem!
Sem
a minha bênção
tua vida é só pena.
Oferece a tua carne
em sacrifício.
Eu sou a deusa honesta,
a única a lembrar
que viver é o que te resta.

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