PRÓDIGO

Por mais longe que seja o destino,
há um caminho de volta
e uma paisagem para ser apreciada
do alto da montanha inóspita.
Um jovem andante vaga sem rumo,
seu destino é errar.
E assim ele segue.
Cego por suas certezas,
tem pedras nos bolsos.
Ninguém lhe importa e tudo lhe interessa.
Em sua ingenuidade perversa,
o mundo lhe pertence.
O que não é seu, ele toma,
saqueia sem cerimônia
e leva consigo uma parte dos outros,
como se conseguisse mesmo tal façanha
– isso de possuir o que não é seu por conquista.
Em volta, um rastro de sua insensatez:
lágrimas, dor, mágoa
enquanto ele ostenta, inconsequente,
com peito aprumado
uma nobre e falsa altivez.
Mas depois de afastar seus afetos
e ficar isolado, roto, triste,
o convívio com a imundície
feriu-lhe o orgulho.
Como um verme, o mundo lhe pisou,
a vida foi atroz e certeira
numa lição cruel e ao mesmo tempo bela.
Da cela do ego, o céu despontou
com brilho intenso
o amor dissipou o ranço da discórdia
e todo aquele rancor estagnado.
A porta da casa estará sempre aberta
ao jovem que deixou para trás seus entes.
Um pai resignado lamuria
por entre os dentes,
mas há festa pela volta.
Adornos à volta do jardim
onde as flores e as pragas
convivem em meio à beleza serena
e ao cuidado.
A morte está presente
como adubo, apenas.
Espinhos, pétalas,
risos e penas
crescem juntos
em frente ao lar.
Aquele mesmo lar.
Seja bem-vindo
novamente.

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